1. Cancro da próstata—ás vezes fazer nada é o melhor
Homens diagnosticados com um cancro de grau elevado da próstata podem viver mais 10 anos sem qualquer intervenção, de acordo com as últimas investigações. Os pacientes diagnosticados com estes cancros agressivos, especialmente se ainda jovens, são submetidos a tratamentos anticancerígenos por forma a melhorar o prognóstico. Todavia, ao rever o progresso de 767 homens com idades entre 55-74 anos, aquando do diagnóstico, os cientistas descobriram que estes homens, todos com cancros da próstata altamente agressivos, tinham mesmo assim uma esperança de vida razoavelmente longa, mesmo sem tratamento (JAMA, 2005;293:2095-101).
2. Cancro da mama—actividade física reduz a incidência de morte
A actividade física pode aumentar a probabilidade de sobrevivência em pacientes diagnosticadas com cancro de mama. As mulheres com este tipo de cancros e que habitualmente praticavam actividades físicas reduziram significativamente a taxa de mortalidade. Os maiores benefícios foram detectados em mulheres que praticavam actividades físicas equivalentes a caminhar 3 a 5 horas semanais—a taxa de mortalidade decresce para metade (JAMA, 2005;293:2479-86).
3. Tratamento de substituição hormonal—piora a incontinência
Um novo estudo revela que os tratamentos de substituição hormonal (TSH), para mulheres durante a menopausa, não ajuda a situação de incontinência, um dos motivos pelo qual este tratamento é receitado. Os investigadores provaram que o TST, com e sem progesterona, não só piora a situação de incontinência, mas coloca as mulheres numa situação em que a probabilidade de sofrer de incontinência é duplicada ao submeterem-se ao tratamento(JAMA, 2005;293:935-48).
4. Analgésicos—está tudo na nossa cabeça?...
Cientistas a estudar a eficácia do paracetamol contra um placebo em pessoas com joelhos artríticos descobriram um rácio de sucesso de 52% em ambos os grupos. Num outro estudo, os cremes NSAID’s (anti-inflamatórios não-esteróides) não mostraram melhores resultados que o placebo. Em contraste, 40 pacientes com artrite reumatóide sentiram alívio significativo nas dores através de um tipo de meditação chamada “mente desperta”. Ao mesmo tempo que reduziam os seus níveis de stress, também as dores provocadas pela doença eram reduzidas (Ann Rheum Dis, 2004;63:923-30; BMJ, 2004;329:324-6; MSNBC News, 13/09/2004).
5. Doenças cardíacas—quem é que realmente faz parte dos grupos de risco?...
Investigadores da Universidade Northwestern, Chicago, testaram um grupo de 3308 adultos jovens para determinar se factores como a impaciência, competitividade, hostilidade, depressão e ansiedade tinham qualquer efeito sobre as probabilidades de a pessoa vir a sofrer de hipertensão. Os cientistas descobriram que apenas a hostilidade aumentava drasticamente a possibilidade de vir a sofrer de hipertensão. A depressão tinha um efeito diminuto, enquanto que a impaciência não tinha qualquer efeito (JAMA, 2003;290:2138-48).
6. Depressão—quando as drogas não funcionam
Não só a Terapia Cognitiva (TC) é livre de todos os potenciais efeitos colaterais dos antidepressivos, mas também produz efeitos positivos a longo prazo. Um estudo que verificou o rácio de recaída em depressão severa concluiu que aqueles que pararam a medicação se encontravam em maior risco de sofrer um relapso do que as pessoas que se submeteram a TC e pararam também o tratamento. Isto sugere que os benefícios da TC têm mais resultados a longo prazo do que os antidepressivos (Arch Gen Psychiatry, 2005; 62:409-16).
7. Champô—químicos podem causar danos ao feto
Exposição prolongada ao agente químico MIT (metilisotiazolinona), utilizado como conservante em muitos champôs e cremes hidratantes, pode afectar o desenvolvimento das células nervosas em ratos—podendo ter efeitos semelhantes em humanos. Todavia, órgãos europeus que supervisionam a segurança destes produtos, afirmam que o MIT passou em todos os testes de segurança, sem qualquer evidência de que consegue ultrapassar a barreira da placenta, passando para a circulação do feto em desenvolvimento (Apresentação na American Society for Cell Biology Annual Meeting, Washington, DC, 5 Dezembro 2005).
8. O leite produz ossos fortes—a verdade ainda não anda por aí
Dizer ás crianças para beberem leite para que cresçam muito e tenham ossos fortes pode não ter qualquer fundamento real. Estes são os resultados de uma análise de 37 estudos diferentes que verificaram o impacto do consumo de cálcio sobre o fortalecimento da massa óssea em crianças e adolescentes. 27 dos estudos não conseguiram demonstrar qualquer ligação entre o consumo de lacticínios e saúde óssea. Os investigadores concluíram que há muito pouca evidência a suportar a recomendação habitual de que ingerir lacticínios se traduz por ossos mais fortes e saudáveis entre as crianças e adolescentes (Pediatrics, 2005; 115: 736-43).
9. Hiroshima outra vez—o que os radiologistas não lhe dizem
Uma Tomografia Computorizada (TAC) a todo o corpo expõe a pessoa a radiação igual à sofrida pelas vítimas das bombas atómicas de Hiroshima e Nagasaki. Um em cada 400 pacientes submetidos a esta intervenção acaba por desenvolver um cancro fatal; aqueles que se submetem a um TAC anualmente duplicam a possibilidade de sofrer um cancro fatal (Radiology, 2004; 232:735-8).
Por outro lado, os TAC’s há muito tempo que são um assunto controverso devido ás incertezas sobre a sua capacidade de detectar muitas doenças (JAMA, 2004; 292: 1669).
10. Dores de costas—o que o seu fisioterapeuta não sabe (ainda)
Está agora provado que qualquer que seja o benefício da fisioterapia, este ocorrerá no primeiro tratamento.
Investigadores da Universidade de Warwick verificaram o progresso de 286 pacientes que sofriam de lombalgia há pelo menos 6 semanas antes de iniciar fisioterapia. Aqueles que visitavam o fisioterapeuta regularmente não tinham melhores resultados que aqueles que simplesmente seguiam o conselho para ter uma vida mais activa (BMJ, 2004; 329:708-11).